É esse teu olhar que me examina de perto
Tuas íris cor-de-mel refletem coisas bonitas
É esse teu sorriso quase infantil,
É tua alma pequena, que se faz grande em cada detalhe que tuas mãos alcançam
Com graça, com vida, com ritmo
E as vezes teus olhos reverberam em mim com força,
E as vezes, só as vezes, a força é tanta... eu desvio
As vezes eu não resisto a essa substância sem nome que te compõe
Expande; retrai;
Como um planeta que não sabe de seus anos
E por isso nasce com os dias
Todos os dias e talvez
Muitas vezes ao dia...
Essa substância que a gente podia chamar de liberdade
Porque gostamos tanto dessa palavra
É a gente
Dois pássaros a voar
sábado, 17 de dezembro de 2016
domingo, 11 de dezembro de 2016
Amor vem pra acrescentar na vida da gente
Mas os discursos da sociedade patriarcal fazem nós, mulheres, acreditarmos em outra coisa.
Que o amor vai nos salvar, e que a gente nasceu pra ser salva.
Que o amor vai nos completar, porque a gente nasceu incompleta.
Que o amor, heterossexual, monogâmico, é a forma mais sublime e verdadeira de amor, porque nunca nos foi ensinado o amor próprio.
Mas os discursos da sociedade patriarcal fazem nós, mulheres, acreditarmos em outra coisa.
Que o amor vai nos salvar, e que a gente nasceu pra ser salva.
Que o amor vai nos completar, porque a gente nasceu incompleta.
Que o amor, heterossexual, monogâmico, é a forma mais sublime e verdadeira de amor, porque nunca nos foi ensinado o amor próprio.
domingo, 30 de outubro de 2016
Sentada aqui na solidão do meu quarto tudo começa a perder o sentido. Cercada por essas muralhas de concreto que separam mundos e disfarçam a nossa necessidade de tocar alguém. O corpo que pede por um corpo. O corpo que se contenta com um copo? Uma poesia que pede por corpo pra se riscar, pede matéria pra existir, essa minha poesia latente de cada dia. Ou será, mesmo, a latência o próprio dia?
Tento aqui transformar minha dor em algo bonito. Porque tudo que existe possui certa beleza se experimentado pelo sentido a quê veio ao mundo. Não há alegria nesse sentimento, mas vejo flores e estrelas, latentes, quando risco ele em tela brilhante. Talvez eu só ainda não tenho encontrado o poço dos infinitos desejos magnéticos que sugam com toda força essa minha poesia interior que a cada dia: se não nasce, morre.
Tento aqui transformar minha dor em algo bonito. Porque tudo que existe possui certa beleza se experimentado pelo sentido a quê veio ao mundo. Não há alegria nesse sentimento, mas vejo flores e estrelas, latentes, quando risco ele em tela brilhante. Talvez eu só ainda não tenho encontrado o poço dos infinitos desejos magnéticos que sugam com toda força essa minha poesia interior que a cada dia: se não nasce, morre.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Meu olhar tem o alcance de mil navios, quando distantes dessa tua sombra.
Meu desejo não tem mais pouco ou muito ardor, cansou desses teus, meus, extremos
Não desejo mais correr nos teus lençóis já meio contaminados, há barragens que não se desfazem: elas terminam em tragédia.
E se não cômico, tudo é trágico; essas tuas palavras vãs das tuas nascentes indecisas por rumo e sedentas por sede. Tolas, e vãs.
Vãs que me levam em rotas jamais aventuradas, diferente do vão sob o qual minha liberdade, igualmente tola e risível, finge apoiar-se.
Embora seja nesse mesmo vão, que se abrem sozinhas as minhas gavetas. Meias, calcinhas. Meias, verdades. Meios, amores. Inteiras ausências. Um vazio de resistência que hoje possui espaço pra se dizer vivo.
Desfaço dobras e alivio porosidades, que há tanto tempo pedem por respiro.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Só um tempo só pra descobrir se a liberdade é só solidão;
Dizer não ao mundo é se recusar a nascer
Se negar a ser parte do todo inevitável que é o cair da
nossa vida
Que a toda e qualquer esquina se esparrama pelo concreto,
restos de mim. Restos e apenas restos, de tudo o que não sou mais. Minha pele
agora é ainda fina, terei eu maior resistência as quedas? Minha pele agora é um
involucro protetor, me protege do mundo. Mas não me protege de mim. Não há ser
mitológico ou amor que me proteja contra todo aquele monte rejeitado, doído,
que eu tento esconder; mas que faz parte. Faz arte. Dói em todo meu corpo.
domingo, 4 de setembro de 2016
Deixou uma âncora aqui em casa
O pesado objeto de metal raspou fundo minhas superfícies.
*
Tu temes exatamente aquilo que procuras
*
Em poros inertes me deixas, congelada
*
Um cristal de pele e mãos que gozam em te encostar
*
Me transformo em cristal para não ferir-me por tuas construções mal-resolvidas
Que escorrem de tua boca e se desfazem dentro de mim,
Como meu leite doce e fino, tua bebida matinal de hoje
*
Enquanto eu acho tudo isso gostoso.
*
É gostoso o que dói?
*
É amargo... É fechada e não tem cor, essa aura que se forma
Pelo desejo de não formarmos: nada.
*
*
*
*
E não formamos, nem hoje nem nunca
O pesado objeto de metal raspou fundo minhas superfícies.
*
Tu temes exatamente aquilo que procuras
*
Em poros inertes me deixas, congelada
*
Um cristal de pele e mãos que gozam em te encostar
*
Me transformo em cristal para não ferir-me por tuas construções mal-resolvidas
Que escorrem de tua boca e se desfazem dentro de mim,
Como meu leite doce e fino, tua bebida matinal de hoje
*
Enquanto eu acho tudo isso gostoso.
*
É gostoso o que dói?
*
É amargo... É fechada e não tem cor, essa aura que se forma
Pelo desejo de não formarmos: nada.
*
*
*
*
E não formamos, nem hoje nem nunca
terça-feira, 16 de agosto de 2016
A paz se acomoda em um sereno abrir de bocas
Eu me reviro do avesso, corto as extremidades, viajo pelos
vãos que sangram, imagino a loucura de ser um ser do mundo e então, sereno.
Aquieto procuro a paz, me enerva a vida com castidade
Aquela com medo, aquela sem coragem
Serena e suave são sinônimos de outras coisas, coisas belas
Vãs, coisas que fazem pirraça
Meu riso resiste ainda em uma casa em que sou flor do
asfalto
Não te acusos por não sentires
Como é suave o ser
Flor
E te amo assim mesmo
Assim triste, assim cabisbaixa
E te amo e te aperto com meus olhinhos que riem, se não pra
ti para outros
Se não por fora, por dentro
Continuo minhas risadas eternas que compõe um fluxo que
jamais fragmenta
E que é sereno, e que é suave
E que segue sendo
E que me faz desejo.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
madeira e cor
Invasão, ela disse.
Recitando o poema dos seus olhos, políticos, pessoais, grudados na vida
Te invado porque ocupas em mim o espaço de um reflexo meu.
D'alma minha.
Minha alma essa que fica nua, vulnerável e transposta pelo raio de luz emitido por tuas duas bolitas verde-castanho.
Janelas que esqueces de fechar.
Verde-castanho, de madeira e cor.
São olhares que fogem em se encontrar
e que se não nessa; em outras dimensões,
dizem: sim! beijo-te sim.
Somos orgânicos.
Recitando o poema dos seus olhos, políticos, pessoais, grudados na vida
Te invado porque ocupas em mim o espaço de um reflexo meu.
D'alma minha.
Minha alma essa que fica nua, vulnerável e transposta pelo raio de luz emitido por tuas duas bolitas verde-castanho.
Janelas que esqueces de fechar.
Verde-castanho, de madeira e cor.
São olhares que fogem em se encontrar
e que se não nessa; em outras dimensões,
dizem: sim! beijo-te sim.
Somos orgânicos.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Minha boca as vezes se emudece
Palavras tão vis, feias, sujas
Saem sem razão, sem calor
E me dominam por inteira.
Quisera eu arrancar-lhe os fonemas
Dobrar-lhe os signos, os sons.
As tonalidades que provocam.
Quisera eu desfigurar essa mísera face
Destoar do mundo vão
Sentir em meu peito
Algum resquício de amor
Quisera eu
Palavras tão vis, feias, sujas
Saem sem razão, sem calor
E me dominam por inteira.
Quisera eu arrancar-lhe os fonemas
Dobrar-lhe os signos, os sons.
As tonalidades que provocam.
Quisera eu desfigurar essa mísera face
Destoar do mundo vão
Sentir em meu peito
Algum resquício de amor
Quisera eu
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Ela me encarou com sincera dor
Me fitou com repuxos d'água, me puxou para dentro de si
Sem a pretensão inata às palavras, a arrogância de racionalizar
Muito longe disso, fica a compreensão de duas almas que se entendem
Apenas se enxergam. Como é perturbador estar nua diante de alguém.
Ela roubou meu nariz! Eu disse: tu roubaste meu nariz.
- Agora é meu. - Disse ela me dando um sorriso.
-Mas assim eu fico sem.
- Assim não consigo respirar. - Reiterei.
Seu olhar se fixou no meu por poucos longos instantes
Surpresa, não entendi, o silêncio despertava a dúvida
Não amargura, não tristeza. A dúvida.
- Já te devolvi, boba!
- Pronto, respira. - disse ela em tom indecifrável
Eu chorei. Ora, tão fácil? Ora, tão rápido? Ora, cadê tua persistência, tua fé no amor, tua crença de que tens consigo sempre um pedaço meu? Me devolves assim? Sem qualquer despedida, adeus, sem carinho, sem o lamento da separação...
Quem chora sou eu.
- Que rápido, podia ter demorado mais um pouco.
- É que eu não sei esperar.
Mentira.
É que tu me quer inteira.
Treme os olhos, emudece a voz
Me fitou com repuxos d'água, me puxou para dentro de si
Sem a pretensão inata às palavras, a arrogância de racionalizar
Muito longe disso, fica a compreensão de duas almas que se entendem
Apenas se enxergam. Como é perturbador estar nua diante de alguém.
Ela roubou meu nariz! Eu disse: tu roubaste meu nariz.
- Agora é meu. - Disse ela me dando um sorriso.
-Mas assim eu fico sem.
- Assim não consigo respirar. - Reiterei.
Seu olhar se fixou no meu por poucos longos instantes
Surpresa, não entendi, o silêncio despertava a dúvida
Não amargura, não tristeza. A dúvida.
- Já te devolvi, boba!
- Pronto, respira. - disse ela em tom indecifrável
Eu chorei. Ora, tão fácil? Ora, tão rápido? Ora, cadê tua persistência, tua fé no amor, tua crença de que tens consigo sempre um pedaço meu? Me devolves assim? Sem qualquer despedida, adeus, sem carinho, sem o lamento da separação...
Quem chora sou eu.
- Que rápido, podia ter demorado mais um pouco.
- É que eu não sei esperar.
Mentira.
É que tu me quer inteira.
Treme os olhos, emudece a voz
terça-feira, 12 de julho de 2016
Por
um mundo em que sentir não seja nadar contra a corrente
Mas
sabemos que há algo de bonito nessa ideia de destruir deixar aos pedaços morrer
em si e nos outros
Para
então renascer
Existe uma vaidade em resistir
E que sejamos vaidosos então, não aspiremos a perfeição
A revolta é o balde que desce em um poço de
delicadezas
É a superfície de um mar de lágrimas
É a ideia que fazemos do amor
Um arrepio em lugares improváveis
A revolta é o grito da vida para existir
Nadando sempre sempre chega o instante que nos afunda
E mesmo no fundo mesmo perdidos mesmo febris e esquecidos
fazemos chacota àqueles que não aprenderam a nadar
que seguem carregados pela correnteza, que são reféns não de
si
Boiam em fluídos de maldade
Boiam em fluídos de maldade
Fazemos chacota porque sabemos que é triste
ser refém de si, e o somos
Porém, na contrapartida bela, o somos! O SOMOS!
********************
Há
algo de beleza na feiura
Quando
o nobre e o vil se encontram e se tornam um
Há
algo de bonito na flor que nasce no asfalto
E
tantos foram os poetas que já cantaram aos ventos
Que
há algo de bonito mesmo no caos, porque em meio a ele surge quem resiste,
surgem flores frágeis com raízes fortes, pássaros que voam de modos estranhos e
esquisitos, pessoas que falam coisas assim, sem nexo mas não importa o nexo
Há
algo de bonito no sexo de um que encosta no outro
E
nessa fusão de mãos e peles que resulta na sincronia de mil cheiros e um grande
corpo com quatro pernas e braços
Ser
a resistência é gemer alto e em bom som, sem medos e sem culpa por sentir
Prazer
O
prazer do corpo incomoda um mundo de autômatos
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Quem é essa pessoa que tanto pranto me tornou?
Quem é esse alguém de expressão triste e fala cortada?
Quem é?
Quem sou?
Vazio de mim.
Espera em mim.
Saudade de mim.
Novo.
Saudade do novo.
De tudo aquilo que ainda não aconteceu.
Triste, me debato, desespero.
A solidão me cansa mas as pessoas me cansam também.
Queria ser um pássaro.
Vou tatuar um pássaro nas minhas pernas.
Pra ver se um dia consigo voar.
É o que eu quero. Bato as asas, onde está o meu impulso?
Voei e corro o perigo constante da queda. A queda é livre?
Uma coisa eu sei: sentada não posso permanecer.
A inércia é assassina de todos os desejos e cores do meu ser.
Voei. Pra onde?
Abismos e alturas imensuráveis me cercam por todos os lados. E eu já sinto o gosto do que tem lá embaixo.
Quem é esse alguém de expressão triste e fala cortada?
Quem é?
Quem sou?
Vazio de mim.
Espera em mim.
Saudade de mim.
Novo.
Saudade do novo.
De tudo aquilo que ainda não aconteceu.
Triste, me debato, desespero.
A solidão me cansa mas as pessoas me cansam também.
Queria ser um pássaro.
Vou tatuar um pássaro nas minhas pernas.
Pra ver se um dia consigo voar.
É o que eu quero. Bato as asas, onde está o meu impulso?
Voei e corro o perigo constante da queda. A queda é livre?
Uma coisa eu sei: sentada não posso permanecer.
A inércia é assassina de todos os desejos e cores do meu ser.
Voei. Pra onde?
Abismos e alturas imensuráveis me cercam por todos os lados. E eu já sinto o gosto do que tem lá embaixo.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
O brilho dos teus olhos faz chacota a esse mundo uniforme, enquanto isso, o elevador
faz sinal de que desce.
A moça quer subir (quem quer, afinal, ficar para trás, para baixo, mais ao fundo?) mas entra mesmo assim, pois, embaraçada, diz: tudo que sobe, desce.
Mas nem tudo, não na cidade de chico science onde quem sobe já está em cima, e quem desce, desce a vida inteira.
Elevadores fogem à lógica urbana, social, são subversivas máquinas onde oprimidos, todos nós transitamos para cima e para baixo, um toque decide o seu destino.
Sobe-desce, desce-sobe.
O quão desconfortável é entrar nessa caixinha e se deparar com tantos olhares embaraçados, tantos não-olhares, dentro dela o raro é o não desviar dos olhos, é escolher enxergar a dureza por trás de expressões esvaziadas pelo medo do desconhecido, do torto, do errado, do louco.
Tanta palavra invisível nesse vai-e-vem do cotidiano, dentro dos prédios mesmo que uniformes,
dentro dos dias mesmo que cinzas, dentro das pessoas todas iguais, igualmente oprimidas, dentro delas sempre existe a latência de uma explosão, o desejo envergonhado da rebeldia, o sangue vermelho dentro das veias. Se olhares de perto, para trás, mais abaixo e mais ao fundo.
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