Tempo que se gasta
Trabalhando no que não gosta
Gastaria com música
Pensamento
E porque não amor?
E então reviravolta seria,
Em meio a prantos de seriedade
Risos desabariam o mundo
E todos os sorrisos
Quiçá me fariam também sorrir.
Ouviríamos e perderíamos
Tanto tempo
Com o que importa
Eu te amo!
O planeta gritaria
Ritmadamente, e com longa pausa.
Sem a contidão de vida regrada
De tempos marcados
Definidos e mal educados,
Que não perguntam por opinião
Sem reter-se à velocidade de relógio
Que queima e faz cegar
Tão perto e tão longe, e agora para sempre
Cem milhões de vezes ao infinito
Pediria-te para fazeres o universo mais bonito.
domingo, 9 de dezembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Tuas asas que foram
Tão ávidas um dia;
Clamando por libertação
Azul e horizontal
Hoje corroem-se
Em poros inertes
Indecisas ao movimento.
Tuas asas que não voam
Aprenderam a dançar.
E como dançam! Penas tuas
Que cansaram de voar.
São agora bailarinas.
No impasse de não só um corpo
Livre dança
O corvo.
Clamando por libertação
Azul e horizontal
Hoje corroem-se
Em poros inertes
Indecisas ao movimento.
Tuas asas que não voam
Aprenderam a dançar.
E como dançam! Penas tuas
Que cansaram de voar.
São agora bailarinas.
No impasse de não só um corpo
Livre dança
O corvo.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Doce ferida
Teu fragmento não cala o que és
Consinto a morte
Heterogêneo sinônimo da vida
Como quem ao madrugar
Em longínqua e cotidiana espera, aguarda
A reconstrução de seu novo rei,
Como me esquento, e à ti coexisto
A reconstrução de seu novo rei,
Como me esquento, e à ti coexisto
E em ti, cinzas eu sou.
Minhas entranhas remoídas
Acinzentadas
Pobres! Tão caladas
Injúrias mil diriam
Se algum dia possuíssem voz
Analfabetas inócuas
Negariam várias dessas quase juras
Penetrariam essa cicatriz ferida
Não se deteriam nem à morte
Nem a vida.
E como alguém que
Em um susto nasce
Seriam gritaria mal contida
Doce cicatriz ferida.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Maria não chora
Suas entranhas não gritam mais
Apenas olha, olhando
Morre por muito enxergar
O óbvio que ninguém vê
A segregação do indivisível
A soma de suas células
Intransigentes, intranscritíveis!
O molde eterno de uma breve vida
O tão pouco da nossa inexistência
Finda por
Números, e cores, e imagens bonitas
Tantos idiotas, no mesmo espaço
No mesmo tempo
E a tudo se diz amém.
Uma representação numérica
Valores em calamidade pública
A nossa história
A estatística acusatória
Dessa moral
Relativa, provisória
Mas Maria, tu vives no agora
Na sub-humanidade,
No desgoverno de si e do que lhe roda
Mas só ouça, mas que bonita!
O som da gota, lá fora
Tudo muda, muda forma
Constitui, essência
deforma
Mas semente não vira beija-flor
O beijo nunca durou, hoje não dura
O amor, a paz, a incessante busca
Por um remédio,
E uma possível cura
De tanto penar
Por um remédio,
E uma possível cura
De tanto penar
Mas vamos, há tanta vida
Corte pelo cálice essa burguesa e emergente dor
Separa sépala, viva pétala
Que morre sempre, e é sempre viva.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Humano
Suplico-te para que não percas a chance de acariciar
As obscuridades de
tudo aquilo que não és.
Queimar por desatino ou simples prazer, ou amor,
E se para isso for, que
seja em todas as extremidades de sua matéria
E nas falhas mais cretinas de sua
alma.
E agradeço se não ordenar, o que é assim,
Ilógico de parto, sútil de
concepção, concepção de não fazer sentido.
Louco!
Caótico, doido. E tão belo.
A dualidade aquela danada!
É quem compõe as arestas da tua instigante
maneira de ser, tão assim, assimétrico e perfeito e patrão e escravo e jesus e
diabo.
domingo, 16 de setembro de 2012
Está tudo bem, diz meu amor...
Sempre na direção
Que se modifica
A cada novidade, a cada morte, em nossas entranhas, sejam podres, sejam vivas.
Que é oposta! Que é singela!
Mas olhe, lá, aquela linda aquarela.
Não muito abaixo, sabes o que dizem. Pode queimar.
Destino desgraçado, infortúnio certo.
Ninguém quer o desamor
Daqueles seres enriquecidos
E os outros, aqueles! Quem mesmo?
Ah meu amor! Do que falas? Não existem.
Trabalhe, escravo. Dizem eles, eu, nós.
Case-se mulher.
Morra!
Não se for branco, bom, puro.
Falo de ti, estorvo parasitário
marginal corruptor! Não vê que estraga a decoração natalina?
Ninguém sentirá falta.
Sem flores, sem choro, sem lápide.
Pois o ciclo segue. Há de seguir.
Ele ignora,
pisa, apedreja.
Mas tudo bem, não há outro jeito,
diz meu amor.
O que há de mal? Se não cometeres nenhum crime de ordem
cabal,
Se fizermos tudo certo, como dizem eles, eu, nós, o que
poderia haver de mal?
Eles não são, são ninguém.
Sei que de vez em quando,
Queremos falar sobre humanidade
Em
nossa condição tão animal,
Compaixão e essas insignificâncias,
Sei que te entristece, mas não há de
chorar, meu amor.
Assim somos desde o que antecede a concepção.
De escravo nasce, escravo é, e cego morre.
Conivente à própria servidão.
Passíveis, ao horror, hipócritas indignados, cultos
lobotomizados!
Por toda parte, por todo o lado.
Mas tudo bem, meu amor, temos um teto, sofá, comida, e televisão.
Daqui de dentro não há com o que se preocupar.
Assinar:
Postagens (Atom)