Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar...
Depressão (e ansiedade). 1. É difícil pra mim falar pras pessoas claramente: eu tenho depressão. O que digo é: fiquei mal, estou mal. Agora dizer eu tô depressiva? Não... é porque quando digo que "tô mal, tô na bad", ninguém entende a profundidade e intensidade dessa "tristeza". Não é uma tristeza normal. Não é ficar triste porque algo ruim aconteceu, chorar porque levou um fora da namorada. É ficar semanas sem sair de casa, se entupindo de porcaria, sem comer direito, trocando o dia pela noite porque você acha que não tem NADA bom te esperando no dia seguinte. É acordar e sentir o peso do mundo nos teus ombros e não ter vontade nem motivo nenhum pra sair da cama. É sentir dentro de si um vazio inexplicável e não conseguir enxergar nada a não ser o próprio sofrimento. É ficar semanas sem aparecer na faculdade e quando voltar se sentir uma intrusa, alguém que não merece estar ali e que as pessoas não se importam/gostam. Aliás, alguém que os colegas julgam como relaxado e irresponsável. É, mesmo quando está bem, se sentir sempre ameaçado por ela. Porque ela está sempre na espreita esperando a primeira adversidade pra voltar com tudo, e fazer de cada problema e dificuldade uma tempestade dentro de si. A depressão é viver num estado de confusão mental e paranoia, é não se sentir dona de si mesma. É sentir que tudo aquilo que você gosta ou costumava gostar já não tem tanta graça, que nada é bom o suficiente (principalmente você) e que tudo é um perigo iminente. É se esconder no banheiro da faculdade porque sabe que não vai conseguir interagir com as pessoas (e se cobrar uma performance social simpática e aceitável, porque a maior preocupação é se os outros vão ou não gostar de ti). É estar em uma sala de aula com várias outras pessoas e se sentir presa dentro da própria cabeça, com vários pensamentos mas sem conseguir comunicar nada. É se sentir culpada por deixar as pessoas confusas com o constante pico de simpatia-antipatia-abertura-isolamento. É estar em um grupo de amigos e sentir como se a qualquer momento fossem te criticar ou ofender. É controlar cada palavra e cada gesto por medo de ofender ou magoar o outro. A ansiedade é quando tu se desconecta de si mesma por medo das pessoas, um pavor mesmo. É quando alguém te pergunta algo e tu diz qualquer coisa porque está se sentindo desconfortável e no fundo só queria sair correndo dali. E além disso, é ter que lidar com as diferentes reações das pessoas a todas essas tuas dificuldades. É ter o medo constante de que os outros não vão gostar de ti. A ansiedade é estar do lado de uma pessoa que você ama mas não conseguir dizer absolutamente nada e rezar internamente para que a pessoa não te julgue. A ansiedade é sobre duvidar de si mesma. É sobre ter uma sede de viver enorme e ao mesmo tempo a tua cabeça te dizer o tempo todo que você na verdade não merece ter essas pessoas legais, inteligentes e engraçadas na tua volta. É deixar de ir num aniversário de alguém que você ama muito porque não se acha à altura daquela pessoa. A ansiedade é sentir que seu espaço vai ser sempre desrespeitado e que você não pode existir genuinamente. Porque não vão te entender. não vão te aceitar. não vão te amar. É pensar em cada palavra e cada expressão que vai usar quando conversa com um amigo no Facebook. É sentir que precisa sempre se controlar e "ser menos", ter algo dentro de si que te censura o tempo todo. É sentir que você falou algo muito idiota sempre que alguém te visualiza e não responde. É fazer perguntas idiotas ou falar qualquer coisa porque fica muito nervosa ao conversar com alguém e acaba nem prestando atenção no que a pessoa disse porque já tá pensando no que vai responder. É achar que você não é boa o suficiente pras pessoas com quem anda. É querer muito participar do futebol na escola mas nunca ter coragem de dar o primeiro passo sozinha, é um ou outro: se sentir acolhida ou se isolar. É ver as outras crianças brincando, rindo e sendo felizes, enquanto tu está presa num lugar cinza, solitário e muito limitado. É fingir ficar doente pra não ter que ir pra escola sempre que pode. É abaixar a cabeça sempre que sai na rua, ficar olhando pros pés e bater a cabeça nas janelas e orelhões. É gostar muito de alguém e ter a reação involuntária de se afastar e cortar a pessoa. É não se permitir gostar de alguém. Ansiedade é sobre evitação. É sobre não querer ser vista e se expor o mínimo possível. É sobre sentir culpa ao "chamar atenção demais". É sobre culpa em existir. É sobre anular seus desejos, vontades e ideias pelos desejos, vontades e ideias do grupo ou dos outros, porque na verdade eles estão fazendo um favor em estar contigo, em ser teus amigos. É nunca demonstrar que não gostou de algo porquê a harmonia ou qualquer coisa é mais importante do que o teu sentimento. É ficar com raiva e triste com comentários e atitudes mas não demonstrar porque criar briga não é legal, porque o medo de ser rejeitada te faz aceitar abusos. Tipo, pô, eles já são meus amigos, andam comigo, me dão atenção, eu não vou forçar a barra, né? É ter quase a vida toda esse tipo de crença. É tentar se adequar aos outros o tempo todo pra ser aceita, se moldar, se contorcer. É ter a crença de que as pessoas não estão interessadas de verdade em ti, que mesmo que tu fale, ninguém vai te entender. É se diminuir pra caber nos lugares. É se sentir pequena demais em outros. É nunca estar confortável.