A moça sorri pra foto
A moça segura a bolsa como segurasse o filho
E esquece de sentir o sabor do vento
Que lhe estampa tudo
Que lhe espanta ao nada
A moça não sabe degustar
Um dia não terá, nem ar, nem paladar
A moça não pedala
A moça só sorri pra foto
sábado, 27 de julho de 2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
O apartamento é quadrado
O meu rosto também
Gosto dos círculos, porém
Disformes formas que te desenham Zé,
Ninguém
Ao lado do nada.
Ninguém
Ao lado do nada.
Abro a veneziana, cabelos, olhos e bocas quadradas
E dentro de mim a guerra infinita
Redonda de formas
Cansada de ser, bonita
A moça da saia rodada
Que me fita as fitas
Que me olha os olhos
Que me ri à alma.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Meu riso só não tem a mesma forma
Como o mesmo soar
A forma se amarelou
O som mudou o tom
Ora agudo ora grave
Agora nada disso
O tom plagiou a lua
A forma é o assoprar da flauta
Mensure se puder, mas já digo: não pode
A imensa onda que lhe cobre
O prazer com cada poro
O pulso de cada corpo
O dedo de de tua mão
O ininterrupto preenchido vazio que paira em teus ossos
Quebrados por uma
Piada
Perdida,
A graça divina
Um murmúrio de Deus
O caminhar dos ateus!
O pulso de cada corpo
O dedo de de tua mão
O ininterrupto preenchido vazio que paira em teus ossos
Quebrados por uma
Piada
Perdida,
A graça divina
Um murmúrio de Deus
O caminhar dos ateus!
E dois talvez três e porque não quatro,
Olhos das mais sôfregas pálpebras
Ternas, gritantes
Asilos falantes!
Mas o que foi sem querer se esvai, devagarzinho
Como gota de chuva em um cálido dia
Como o canto do pássaro em um mundo de surdos
Como o beijo na boca de um mudo
Como um país que sofreu um estupro
E que sofre, e sofrendo continua a estuprar
domingo, 7 de julho de 2013
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Pergunte-se, uma morte lenta faria parar o coração que
quer escapar do peito através de água¿ Ele evaporaria à medida que anoitece. A
dor retornaria com a chuva. Junto com as palavras que nada significam e as letras
que não trazem ideias. Também com os ideais que foram comprados na esquina a
preço de fruta. Tudo retornaria.
Os ideais baratos. Preço de banana.
O preço da fruta, não é caro pra mim. Fruta. Podre e
suculenta.
Me dá um pouco da tua, Inocência¿ Fruta maldita, comi e
perdi a minha. A minha nunca existiu, um grito. E porque não¿ . Porque, oras, a
enchente levou.
Vermelho facínora,
matou a criança da alma. De mim sobrara o corpinho com coágulos, o interior das
feridas, o imaginário pernicioso à noite. O que mais me doía logo de inicio era
saber: Um morto de alma nunca conseguirá amar por completo.
É que o fato de existir implica na mimese de tudo que se
vê, do redor, do ego, da brutalidade com a qual fui tratada. É que isso não
aparece no jornal. É que a humanidade não fica triste porque uma criança, se da
rua, morreu. Suponho que o mundo seja mau. E faço parte desse mal, tenho outro
destino, senão a maldade do que se vê¿
Ora, o que dizes também sinto. Um microcosmos sem portas. O inferno sufocante
onde elas não são necessárias. O gemido é alto, o cão é feroz e as correntes, antes
de corda, foram trocadas pelas de ferro. É possível corroer o metal antes que
não se possa mais respirar¿
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O que quero expressar é algo que não sei sentir. São
fonemas que não são, nunca, postos em ordem lógica e racional. Porque se quero
a verdade, não posso oprimir a estupidez. Quando em mim habita o caos a ordem é
o maior perigo. E esse foi meu desatino de maior lucidez:
Oprimir é estupido. Mentir é matar. Matar é pelas
costas. É deixar sangrar enchentes e sorrir em volta e comer pizza à mesa. Que
morram todos, então! Dizem os fonemas, as muralhas negras que tapam os olhos e
ouvidos dessa gente, palhaços que moram na cavidade anal do homem.
Depois de correr quilômetros a fio sem nada, partida ou
chegada
Só o chão.
Eu pari, grávida
Parti em dois a imensidão
Penso apenas em despejar meu grito em ti, o Universo em
ti.
Dele fazem parte os que morreram, os poetas
Os iludidos que desenhavam a trajetória dos astros.
Como chegar até eles¿
Como prender a liberdade em si¿
Voar acima dos corpos
celestes,
cagar nas cabeças
das humanas bestas!
Acariciar os nervosos
Os corações forcejosos.
Os bons e maus,
Pensares que fazem
dos astros: invejosos.
Prender a liberdade, nunca! Ela é libertadora exatamente
porque não se prende a nada. Personifica-la na Terra, talvez. É o que me tira o
sono de tanto desejo. Apesar de não ser prisioneira de ninguém.
Putas, alguém¿ “Eu, eu, eu, é assim que me chamam’’.
Malditas sejam! Vocês que se olham no espelho e refletem vergonhosamente a
imagem que lhe criaram. Ser puta ou ser santa, ser virgem ou não, a escolha é a
liberdade. E a liberdade, sim, é sagrada! Uma puta sagrada que merece o amor e
a vida.
Quero ver o homem
como é, o bicho que é! Torturados, degolem a censura que vos mata!
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