quarta-feira, 18 de julho de 2018



DE DENTRO, SEM PORQUE

Quero deixar a escrita escorrer pelos meus dedos; desejo para minhas maos um caminho que emana do meu coração.

Minhas veias pulsam
Meus olhos ardem
Há em mim uma nova mulher a nascer.
Há em mim outra, uma desconhecida
Um ser puro e berrante
Pois sua carne é viva e virgem.

Aquela poesia outrora feita
A que saía do meu sexo ao papel, morreu.
Preciso agora com urgência mas com alma, conhecer essa estranha recém nascida, esse feto parido na hora que quis

Refazida das cinzas, do pó
Da matéria das estrelas e do estrume: é outra

Ela nasce do epicentro e contamina o vazio até às bordas desse corpo-territorio-cabelo-vagina-mulher

Sinto em mim. Não. So sinto, as dores do parto e sinto ao estilo de Drummond, coisas que não sei dizer e por isso chamo apenas de coisas, sentidas

Que vao e vem
Que são minhas e não são
Que me fazem fluxo cachoeira jorrante
Estupor. Dos orgasmos que me dei.

A falta não precisa ser mais que criação do homem ocidental. Não sou nenhum dos dois. A falta, mera ilusao, abstração
A falta se autoabandona
Enquanto eu percorro descalça uma estrada para onde eu possa me deitar. Adormecer sem medo.

Faço o caminho de volta
Para um lugar inteiramente novo e desconhecido e
Absolutamente aterrorizante.
O meu lugar.

Dentro de mim
Uma estrutura sólida
Flutuante e resistente
A todos os vácuos empacotados ou nao
Todos os atravessados em pele minha como punhal. Que não mais me apavora.
Pois eu sei sangrar sem apagar as luzes para sempre

Quero nesse momento ser possuída pelos meus dedos
Imprimir nesse mágico pedaço de materia comum: toda a minha ânsia e toda a minha angústia
Pois, até para mim, tornou-se insuportável conte-la. Abro as portas do subterrâneo e aguardo com carinho as chamas.

Eu almejo ser como a luz
Ser toda e puramente luz: desdobrável
Como uma mentira que nossos olhos nos contam. Ou a doce amargura de sentir muito.

Não vômito esse poema, eu transpiro ele.
O alimento com minha própria vida e dou de mim à sua boca faminta

Rezo para que nós dois nos engulamos, enfim.
Digo a ele sem vergonha: não demora,
Me come
E deixa eu te comer

Me mastiga com toda a saliva encrustrada entre letras e demônios amigaveis
Não espera: devora com teus pensamentos os meus pensamentos

Eu sou porque tu és
Eu te amo,
Meu poema abstrato-amargo e displicente.


quarta-feira, 28 de março de 2018


A - Aceite sua ansiedade. Lutar contra os sintomas fisicos dela nao funcione. Apenas aceite e espere. Ela vai passar
C - Contemple o redor. Parar de focar apenas em você mesmo ou na afliçao que esta sebtindo so vai piorar. Tente contemplar os sons externos, a rua, o lugar onde voce esta sentado. 
A - Aja com naturalidade. Nao pare de fazer o que estava fazendo e nem se agite demais. Tente continuar trabalahndo normalmente mesmo que sua mente esteja inquieta.
L - Libere o ar dos seus pulmoes. Quem esta na ansiedade geralmente respira muito rapido, o que piora tudo. Inspire como se tivesse cheirando uma flor e expire como quem sopra uma vela.
M - Mantenha os passos anteriores.
E - Examine suas preocupacoes. "Elas realmente sao importantes? Merecem tanta a minha atençao? Qual a probabilidade de estar fazendo uma tempestade em copo d'agua? 
S - Sorria! Sorria das suas preoucupacoes, a maioria delas sao medos exagerados e nao fatos concretos. 
E - Espere o futuro com aceitacao. Se preocupar por antecipacao so prolonga o sofrimento. Viva o agora!

segunda-feira, 19 de março de 2018

Colagem Eu-Mundo

Ninguém no espelho
Mais só do que eu
Existe alguém que na rua se revela
menos hipocondríaco
Toma glória com amigos
Cria seu cortejo de calçada
Sol meu, reconhece
O racismo persiste
E faz nova execução
Visto rios de horror


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Já parou pra pensar bem?

Já parou pra pensar bem em tudo aquilo que a gente semeou na intersecção do tempo-espaço de amor que nos uniu? Me transbordei em leveza e peso para fora das bordas circulares do carinho que fomos um para o outro. 
Foi circular, nada reto, não haviam quadraturas plutônicas na similaridade das nossas sinfonias.
Foi uma orquestra sinfônica e os músicos tocavam somente as notas mais doces e leves. Ao nosso pedido, sons psicodélicos e um pouco de anarquia. Para nossas mãos, os barulhos rebeldes de arrepiar os pelinhos de dois corações gigantes. Que sorte a minha.
Menino anarquista, tu és gigante e um dos carinhos que levarei sempre com o peito aberto.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Aprender a suportar a feiúra do que se vê.:::
As coisas são o que são e nem é o que parece.

defender meu sentir com a mesma intensidade do meu amor
mostrar as garras pois os lobos não hesitam em fúria para se proteger

recobrar a capacidade de suportar o que se vê
A barba é azul.
e ponto.
O amor é carência.
O castelo guarda um porão repleto de ossos.

A chave que abre a porta e então não para de sangrar vem pra me apontar: esse não é o caminho
Meus vestidos todos sujos de sangue
Não há problema... sempre gostei de vermelho.
Minhas cicatrizes em nada semelhante com minhas vergonhas
Leveza, levura... deixo desprender de mim o peso dos enganos
Essa natureza selvagem precisa aprender a se perdoar.
Há em mim todas as mulheres do mundo, todas que eu necessito pra a vida
A mãe, a filha, a melhor amiga.
A amante fervorosa que faz do meu corpo escorrer suores; paixão.
A mãe selvagem que me deixa ir além, solita e incrivelmente sã.
E enfim todas elas se juntam, se amam, no êxtase de uma louca cerimônia circular, redonda, poética.
A chama do fogo me traz a vida, a morte, a vida.
Queima em meu peito essas agruras que já não cabem mais
Faz transbordar
Uma ternura
Por um par de olhos penetrantes e afiados
Suportam a feiúra do mundo.
Aceitam, liberam.
Olhos buscantes por novas paisagens. sorriem sozinhos.




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Negociar afeto em versos bobos com rimas ruins

Neguei o que sentia: raiva, medo, dor, frustração
Neguei o que pensava - não gosto disso, eu quero mais do que isso
Fiquei quietinha, comportada, sem chamar muita atenção
Não perguntei muito, não quis me expor
Talvez assim eu fosse amada
Que nada!

Tentei negociar afeto sendo algo que não sou
Me retraindo porque ser como eu era não dava em nada...
Hoje entendo que só sendo quem eu sou poderei ser amada



terça-feira, 18 de julho de 2017

Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar...

Depressão (e ansiedade). 1. É difícil pra mim falar pras pessoas claramente: eu tenho depressão. O que digo é: fiquei mal, estou mal. Agora dizer eu tô depressiva? Não... é porque quando digo que "tô mal, tô na bad", ninguém entende a profundidade e intensidade dessa "tristeza". Não é uma tristeza normal. Não é ficar triste porque algo ruim aconteceu, chorar porque levou um fora da namorada. É ficar semanas sem sair de casa, se entupindo de porcaria, sem comer direito, trocando o dia pela noite porque você acha que não tem NADA bom te esperando no dia seguinte. É acordar e sentir o peso do mundo nos teus ombros e não ter vontade nem motivo nenhum pra sair da cama. É sentir dentro de si um vazio inexplicável e não conseguir enxergar nada a não ser o próprio sofrimento. É ficar semanas sem aparecer na faculdade e quando voltar se sentir uma intrusa, alguém que não merece estar ali e que as pessoas não se importam/gostam. Aliás, alguém que os colegas julgam como relaxado e irresponsável. É, mesmo quando está bem, se sentir sempre ameaçado por ela. Porque ela está sempre na espreita esperando a primeira adversidade pra voltar com tudo, e fazer de cada problema e dificuldade uma tempestade dentro de si. A depressão é viver num estado de confusão mental e paranoia, é não se sentir dona de si mesma. É sentir que tudo aquilo que você gosta ou costumava gostar já não tem tanta graça, que nada é bom o suficiente (principalmente você) e que tudo é um perigo iminente. É se esconder no banheiro da faculdade porque sabe que não vai conseguir interagir com as pessoas (e se cobrar uma performance social simpática e aceitável, porque a maior preocupação é se os outros vão ou não gostar de ti). É estar em uma sala de aula com várias outras pessoas e se sentir presa dentro da própria cabeça, com vários pensamentos mas sem conseguir comunicar nada. É se sentir culpada por deixar as pessoas confusas com o constante pico de simpatia-antipatia-abertura-isolamento. É estar em um grupo de amigos e sentir como se a qualquer momento fossem te criticar ou ofender. É controlar cada palavra e cada gesto por medo de ofender ou magoar o outro. A ansiedade é quando tu se desconecta de si mesma por medo das pessoas, um pavor mesmo. É quando alguém te pergunta algo e tu diz qualquer coisa porque está se sentindo desconfortável e no fundo só queria sair correndo dali. E além disso, é ter que lidar com as diferentes reações das pessoas a todas essas tuas dificuldades. É ter o medo constante de que os outros não vão gostar de ti. A ansiedade é estar do lado de uma pessoa que você ama mas não conseguir dizer absolutamente nada e rezar internamente para que a pessoa não te julgue. A ansiedade é sobre duvidar de si mesma. É sobre ter uma sede de viver enorme e ao mesmo tempo a tua cabeça te dizer o tempo todo que você na verdade não merece ter essas pessoas legais, inteligentes e engraçadas na tua volta. É deixar de ir num aniversário de alguém que você ama muito porque não se acha à altura daquela pessoa. A ansiedade é sentir que seu espaço vai ser sempre desrespeitado e que você não pode existir genuinamente. Porque não vão te entender. não vão te aceitar. não vão te amar. É pensar em cada palavra e cada expressão que vai usar quando conversa com um amigo no Facebook. É sentir que precisa sempre se controlar e "ser menos", ter algo dentro de si que te censura o tempo todo. É sentir que você falou algo muito idiota sempre que alguém te visualiza e não responde. É fazer perguntas idiotas ou falar qualquer coisa porque fica muito nervosa ao conversar com alguém e acaba nem prestando atenção no que a pessoa disse porque já tá pensando no que vai responder. É achar que você não é boa o suficiente pras pessoas com quem anda. É querer muito participar do futebol na escola mas nunca ter coragem de dar o primeiro passo sozinha, é um ou outro: se sentir acolhida ou se isolar. É ver as outras crianças brincando, rindo e sendo felizes, enquanto tu está presa num lugar cinza, solitário e muito limitado. É fingir ficar doente pra não ter que ir pra escola sempre que pode. É abaixar a cabeça sempre que sai na rua, ficar olhando pros pés e bater a cabeça nas janelas e orelhões. É gostar muito de alguém e ter a reação involuntária de se afastar e cortar a pessoa. É não se permitir gostar de alguém. Ansiedade é sobre evitação. É sobre não querer ser vista e se expor o mínimo possível. É sobre sentir culpa ao "chamar atenção demais". É sobre culpa em existir. É sobre anular seus desejos, vontades e ideias pelos desejos, vontades e ideias do grupo ou dos outros, porque na verdade eles estão fazendo um favor em estar contigo, em ser teus amigos. É nunca demonstrar que não gostou de algo porquê a harmonia ou qualquer coisa é mais importante do que o teu sentimento. É ficar com raiva e triste com comentários e atitudes mas não demonstrar porque criar briga não é legal, porque o medo de ser rejeitada te faz aceitar abusos. Tipo, pô, eles já são meus amigos, andam comigo, me dão atenção, eu não vou forçar a barra, né? É ter quase a vida toda esse tipo de crença. É tentar se adequar aos outros o tempo todo pra ser aceita, se moldar, se contorcer. É ter a crença de que as pessoas não estão interessadas de verdade em ti, que mesmo que tu fale, ninguém vai te entender. É se diminuir pra caber nos lugares. É se sentir pequena demais em outros. É nunca estar confortável.