quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Já parou pra pensar bem?

Já parou pra pensar bem em tudo aquilo que a gente semeou na intersecção do tempo-espaço de amor que nos uniu? Me transbordei em leveza e peso para fora das bordas circulares do carinho que fomos um para o outro. 
Foi circular, nada reto, não haviam quadraturas plutônicas na similaridade das nossas sinfonias.
Foi uma orquestra sinfônica e os músicos tocavam somente as notas mais doces e leves. Ao nosso pedido, sons psicodélicos e um pouco de anarquia. Para nossas mãos, os barulhos rebeldes de arrepiar os pelinhos de dois corações gigantes. Que sorte a minha.
Menino anarquista, tu és gigante e um dos carinhos que levarei sempre com o peito aberto.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Aprender a suportar a feiúra do que se vê.:::
As coisas são o que são e nem é o que parece.

defender meu sentir com a mesma intensidade do meu amor
mostrar as garras pois os lobos não hesitam em fúria para se proteger

recobrar a capacidade de suportar o que se vê
A barba é azul.
e ponto.
O amor é carência.
O castelo guarda um porão repleto de ossos.

A chave que abre a porta e então não para de sangrar vem pra me apontar: esse não é o caminho
Meus vestidos todos sujos de sangue
Não há problema... sempre gostei de vermelho.
Minhas cicatrizes em nada semelhante com minhas vergonhas
Leveza, levura... deixo desprender de mim o peso dos enganos
Essa natureza selvagem precisa aprender a se perdoar.
Há em mim todas as mulheres do mundo, todas que eu necessito pra a vida
A mãe, a filha, a melhor amiga.
A amante fervorosa que faz do meu corpo escorrer suores; paixão.
A mãe selvagem que me deixa ir além, solita e incrivelmente sã.
E enfim todas elas se juntam, se amam, no êxtase de uma louca cerimônia circular, redonda, poética.
A chama do fogo me traz a vida, a morte, a vida.
Queima em meu peito essas agruras que já não cabem mais
Faz transbordar
Uma ternura
Por um par de olhos penetrantes e afiados
Suportam a feiúra do mundo.
Aceitam, liberam.
Olhos buscantes por novas paisagens. sorriem sozinhos.




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Negociar afeto em versos bobos com rimas ruins

Neguei o que sentia: raiva, medo, dor, frustração
Neguei o que pensava - não gosto disso, eu quero mais do que isso
Fiquei quietinha, comportada, sem chamar muita atenção
Não perguntei muito, não quis me expor
Talvez assim eu fosse amada
Que nada!

Tentei negociar afeto sendo algo que não sou
Me retraindo porque ser como eu era não dava em nada...
Hoje entendo que só sendo quem eu sou poderei ser amada



terça-feira, 18 de julho de 2017

Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar...

Depressão (e ansiedade). 1. É difícil pra mim falar pras pessoas claramente: eu tenho depressão. O que digo é: fiquei mal, estou mal. Agora dizer eu tô depressiva? Não... é porque quando digo que "tô mal, tô na bad", ninguém entende a profundidade e intensidade dessa "tristeza". Não é uma tristeza normal. Não é ficar triste porque algo ruim aconteceu, chorar porque levou um fora da namorada. É ficar semanas sem sair de casa, se entupindo de porcaria, sem comer direito, trocando o dia pela noite porque você acha que não tem NADA bom te esperando no dia seguinte. É acordar e sentir o peso do mundo nos teus ombros e não ter vontade nem motivo nenhum pra sair da cama. É sentir dentro de si um vazio inexplicável e não conseguir enxergar nada a não ser o próprio sofrimento. É ficar semanas sem aparecer na faculdade e quando voltar se sentir uma intrusa, alguém que não merece estar ali e que as pessoas não se importam/gostam. Aliás, alguém que os colegas julgam como relaxado e irresponsável. É, mesmo quando está bem, se sentir sempre ameaçado por ela. Porque ela está sempre na espreita esperando a primeira adversidade pra voltar com tudo, e fazer de cada problema e dificuldade uma tempestade dentro de si. A depressão é viver num estado de confusão mental e paranoia, é não se sentir dona de si mesma. É sentir que tudo aquilo que você gosta ou costumava gostar já não tem tanta graça, que nada é bom o suficiente (principalmente você) e que tudo é um perigo iminente. É se esconder no banheiro da faculdade porque sabe que não vai conseguir interagir com as pessoas (e se cobrar uma performance social simpática e aceitável, porque a maior preocupação é se os outros vão ou não gostar de ti). É estar em uma sala de aula com várias outras pessoas e se sentir presa dentro da própria cabeça, com vários pensamentos mas sem conseguir comunicar nada. É se sentir culpada por deixar as pessoas confusas com o constante pico de simpatia-antipatia-abertura-isolamento. É estar em um grupo de amigos e sentir como se a qualquer momento fossem te criticar ou ofender. É controlar cada palavra e cada gesto por medo de ofender ou magoar o outro. A ansiedade é quando tu se desconecta de si mesma por medo das pessoas, um pavor mesmo. É quando alguém te pergunta algo e tu diz qualquer coisa porque está se sentindo desconfortável e no fundo só queria sair correndo dali. E além disso, é ter que lidar com as diferentes reações das pessoas a todas essas tuas dificuldades. É ter o medo constante de que os outros não vão gostar de ti. A ansiedade é estar do lado de uma pessoa que você ama mas não conseguir dizer absolutamente nada e rezar internamente para que a pessoa não te julgue. A ansiedade é sobre duvidar de si mesma. É sobre ter uma sede de viver enorme e ao mesmo tempo a tua cabeça te dizer o tempo todo que você na verdade não merece ter essas pessoas legais, inteligentes e engraçadas na tua volta. É deixar de ir num aniversário de alguém que você ama muito porque não se acha à altura daquela pessoa. A ansiedade é sentir que seu espaço vai ser sempre desrespeitado e que você não pode existir genuinamente. Porque não vão te entender. não vão te aceitar. não vão te amar. É pensar em cada palavra e cada expressão que vai usar quando conversa com um amigo no Facebook. É sentir que precisa sempre se controlar e "ser menos", ter algo dentro de si que te censura o tempo todo. É sentir que você falou algo muito idiota sempre que alguém te visualiza e não responde. É fazer perguntas idiotas ou falar qualquer coisa porque fica muito nervosa ao conversar com alguém e acaba nem prestando atenção no que a pessoa disse porque já tá pensando no que vai responder. É achar que você não é boa o suficiente pras pessoas com quem anda. É querer muito participar do futebol na escola mas nunca ter coragem de dar o primeiro passo sozinha, é um ou outro: se sentir acolhida ou se isolar. É ver as outras crianças brincando, rindo e sendo felizes, enquanto tu está presa num lugar cinza, solitário e muito limitado. É fingir ficar doente pra não ter que ir pra escola sempre que pode. É abaixar a cabeça sempre que sai na rua, ficar olhando pros pés e bater a cabeça nas janelas e orelhões. É gostar muito de alguém e ter a reação involuntária de se afastar e cortar a pessoa. É não se permitir gostar de alguém. Ansiedade é sobre evitação. É sobre não querer ser vista e se expor o mínimo possível. É sobre sentir culpa ao "chamar atenção demais". É sobre culpa em existir. É sobre anular seus desejos, vontades e ideias pelos desejos, vontades e ideias do grupo ou dos outros, porque na verdade eles estão fazendo um favor em estar contigo, em ser teus amigos. É nunca demonstrar que não gostou de algo porquê a harmonia ou qualquer coisa é mais importante do que o teu sentimento. É ficar com raiva e triste com comentários e atitudes mas não demonstrar porque criar briga não é legal, porque o medo de ser rejeitada te faz aceitar abusos. Tipo, pô, eles já são meus amigos, andam comigo, me dão atenção, eu não vou forçar a barra, né? É ter quase a vida toda esse tipo de crença. É tentar se adequar aos outros o tempo todo pra ser aceita, se moldar, se contorcer. É ter a crença de que as pessoas não estão interessadas de verdade em ti, que mesmo que tu fale, ninguém vai te entender. É se diminuir pra caber nos lugares. É se sentir pequena demais em outros. É nunca estar confortável.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Talvez eu não tenha nenhuma ideia exata para expressar aqui
Por isso minhas frases terminam na

É concreto o fato de que eu não sei ser exata
É evidente - para mim - que essa tempestade que ocorre aqui dentro seja extremamente visível, e que ela tenha o poder de destruir cidades inteiras

Talvez seja por isso que eu repito tanto as palavras e meus dedos inquietos - e dormentes - tem tão poucas certezas para contar
Talvez seja por isso. que minhas frases. terminam. antes de começar. Talvez seja por isso que eu tenha essa ânsia por transbordar

Porquê eu morro de medo do vazio.

Morro de medo do silêncio.

E por mais familiar que ela - talvez - me seja,

Morro de medo da solidão.

Meu maxilar me implora: Fale, grite, cante! Com uma exclamação tão imensa que beira à dor
Meus braços imploram: abraçe
Minhas pernas suplicam: pule

Talvez meu fervor seja tanto por motivos bastante simples e óbvios

Morro de medo do nada.

Me assusta que apenas olhemos. O mundo caótico cheio de dor e mágoa lá fora.

Por isso quero confrontar quero destruir quero gritar no meio de uma avenida: por um pouco de silêncio para o mundo caótico cheio de dor e mágoa aqui dentro

Me assusta apenas olhar pras ruínas de mim e nada fazer

Temo que a reconstrução seja lenta demais e por isso me enterro na argamassa das ânsias não realizáveis - todas elas

O que eu espero dos outros é que deixem mais quieta a sombra que jaz por trás de um sorriso que encanta

Sou era fui tola ao não me deixar perceber: sou -também - um pouco de tudo que odeio no mundo


terça-feira, 2 de maio de 2017

Eu trêmula

Meu corpo todo tremula,
Pareço um espiral de muitos membros - todos eles divergentes quanto à pergunta maior e sem capacidade de ser saciada -

Pa-ra-on-de?

Me sinto uma rosa dos ventos de setas sobrepostas por proximidade
É a aridez que isso me traz que torna essa tinta e essa manha tão seca.
E ainda assim, quente.
É uma aridez que posso transpor para as minhas lentes ao enxergar o mundo.
É a aridez desse ritmo constante que me transborda toda... e sem querer, de modo algum
Ou de algum modo... é molhada.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Vejo uma página em branco
Vejo alguém que bebe café
Sinto alguém que tem dores
Sinto vindo aqui de dentro tantos outros amores
Sinto que o amor é calmo e - tá tudo bem
Vejo que tenho sorte na vida
E que há porque cobrar tanto do poema?
Tanta dor, tudo tanto
Pra que tanto?
É belo também o que é pequeno e delicado
É belo também o que é frágil e vive por "um fio"
Apenas quem sabe dançar consegue viver em cima da linha
Belo também sentir no corpo as dores do inverno que chega
Enquanto na alma tudo floresce, com uma lentidão que não me assusta
É como um carinho que a gente não quer que acabe nunca...


terça-feira, 4 de abril de 2017

Dentro de mim existe um vazio cheio de quadros em branco
Dentro de mim existe também uma galeria escura que no lugar de quadros, existem grandes montes de vômito e merda
Dentro de mim existe também tanta coisa; dramin pra dormir; freud, as mulheres que correm com os lobos, o ecossistema e o ser integral, a saúde holística, ah! Dentro de mim... existe vontade de pele, de cheiro, de foda mesmo. Aquela bem boa. Mulher, homem, sapatão, bonitinha, guriazinha! meiga irada agressiva. Cheia de energia, gato.
Dentro de mim existe um "miguxa, tem algo pra amanhã?", um "fui numa festa e escutei lana del  rey, nossa, muito chato..." dentro de mim existe toda essa chatisse do cotidiano de gente que tem medo de se olhar; deixa eu te contar um segredo? é que as paredes brancas me engolem aos poucos. Sou engolida pela grande baleia e me afogo lentamente no oceano interno de estar só e não saber pra onde ir, não saber qual o rumo a se tomar. Eu me afogo... Ah, eu me afogo...

E eu não quero mais usar palavras bonitinhas, o mundo não é delicado
Ele esmaga a gente, e nos deixa só depois
Um punhado de gente batido no liquidificador, sem açucar, sem adoçante
Um monte de sonhos desejos mãos e pensamentos que se perguntam por onde, com quem, como
Uma biomassa de tristezas liquefeitas
Me ponho no liquidificador, mas ele corta, e ah, minha batida logo tem gosto de sangue
O sangue vermelho dentro das veias pulsa junto com meu cérebro freneticamente
O sangue, vermelho, era pra ficar somente dentro das veias, de café da manhã eu só queria um pão com manteiga e um copo de carinho, um pouco, que seja um tantinho que nem um punhadinho
Das pessoas que contam as moedas e as colocam em saquinhos
Das amizades todas que separam as sementinhas para fumar a erva boa
Um tantinho assim, separadinho, fragmentado, que seja
Aceito como for
Sinto saudade de mim? Como ter coragem se eu nem sinto os meus pés no chão?
Eu queria ser a expressão constante de mim
Transbordar porque sou água e contida assim, eu deprimo e afogo lentamente até não conseguir respirar
E não há muito tempo eu me perguntei, como corroer o metal antes que não se possa mais respirar?
Eu errei na concepção do poema
Não estou presa em lugar nenhum exceto
Aqui dentro... sei que dizer socorro não adianta e esse até poderia ser um bom recurso poético mas eu to é me fudendo pra poesia. Eu quero mais é que essa poesia bonita e bem feita e tão bem expressa e autêntica, essa que era eu e que eu fazia, se foda.
Eu invejo o que um dia fui porque não sei mais quem sou

sábado, 4 de março de 2017

Um click e a dor é nossa

Quero voltar a sentir;
Você não pode fazer isso por mim.
Se eu balanço a cabeça, dobro as pernas, me aventuro até a varanda
São fios que tocam somente a minha meada
são passos postos e repostos numa sincronia que é só minha
é o frio, é o vento, que me tocam
são os sentidos, as células, os organismos, as trocas energéticas que compõem o arrepiar de todos os meus pelinhos, um arrepiar que ninguém sente por mim
E assim é a dor, toda dor que existe em mim, toda a mágoa

Existe alguém que sente pra mim?

Que genial seria a existência de um sistema de transferência de dores, como pen-drives de lágrimas, deletar os vazios, colocá-los para download. Criaríamos uma empatia nunca vista na história da humanidade, pela dor do outro, por simplesmente saber que todos sentimos as mesmas coisas, de jeitos infinitamente distintos, e agora, disponíveis. Que bom seria, um click, dois, transferido meu vazio para outros vasos, e a expectativa para ver se cresce flor, talvez o problema seja o vaso, não? Mudaríamos os vazios, eles viajariam distâncias continentais ou atravessariam a rua. Seria lindo, lindo, saber que o outro pode sentir a tua dor.

Mas enquanto não inventam essa engenhoca a gente só pode se conformar: a dor é egoísta

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Amor que não

Tem amor que vibra no meu peito sem pedir licença 
Tem amor que é tecido, amor-cartilagem, amor-sangue vulcão, que de repente... 
Se desfaz, dissolve em uma erupção, leva o fogo por toda a cidade
E as estruturas por tanto tempo planejadas e construídas, que custaram tanto!
Elas caem, desfazem, se desfazem como minha alma... no teu beijo
Tem amor que arrepia de longe, sem pedir permissão
Tem também, aquele amor que é pra sempre e pra nunca mais

Tem amor que... não.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Não mais te quero bem.
Da minha boca só o rancor escorre em tua direção.
Mas ainda, toda vez que olho pro céu, miro diretamente a lua gravada em teu braço.
Sempre que levanto a visão, assim, desavisada, lá está; aquela lua malvada que sorri pra mim.
Logo pra mim, como em um deboche.
Porque sabe, conhece o ódio que nutro por todos os astros que minguam.
Conhece meu desprezo por tudo aquilo que não se deixa ser no ápice de seu tamanho. No auge da sua luz, no apogeu de seu esplendor.
Conhece-me os extremos, o meu amor pela plenitude.
Mas ela sorri. Sorri pra mim! Como em um deboche.
Para que eu aprenda, de uma vez por todas, que até a lua usa máscaras.
E porque não haverei eu de usá-las também?
Porque não haverei eu de ter delas uma coleção? Roxas, amarelas, azuis.
Uso-a, para debochar dos céus, da vida, de ti. Uso-a com um gosto esquisito na boca.
Uso-a e ela me cai tão bem. De uma maneira que tu nunca me caiu.
Tão bonito e sério e amargo é meu olhar-sorriso dentro dela.
Aprendi a ser ódio e amor há somente um tempo.

Irônico é uma lua tão simplória me ensinar tanto da vida. Me fazer tão mais linda e interessante e complexa. Me fazer uma coexistência de extremos.
Uma dançarina que caminha no meio fio.
Se a lua me convida, me fantasio e me jogo: as máscaras já bailam, e os dançarinos me esperam. A noite é uma lua cheia.