Não mais te quero bem.
Da minha boca só o rancor escorre em tua direção.
Mas ainda, toda vez que olho pro céu, miro diretamente a lua gravada em teu braço.
Sempre que levanto a visão, assim, desavisada, lá está; aquela lua malvada que sorri pra mim.
Logo pra mim, como em um deboche.
Porque sabe, conhece o ódio que nutro por todos os astros que minguam.
Conhece meu desprezo por tudo aquilo que não se deixa ser no ápice de seu tamanho. No auge da sua luz, no apogeu de seu esplendor.
Conhece-me os extremos, o meu amor pela plenitude.
Mas ela sorri. Sorri pra mim! Como em um deboche.
Para que eu aprenda, de uma vez por todas, que até a lua usa máscaras.
E porque não haverei eu de usá-las também?
Porque não haverei eu de ter delas uma coleção? Roxas, amarelas, azuis.
Uso-a, para debochar dos céus, da vida, de ti. Uso-a com um gosto esquisito na boca.
Uso-a e ela me cai tão bem. De uma maneira que tu nunca me caiu.
Tão bonito e sério e amargo é meu olhar-sorriso dentro dela.
Aprendi a ser ódio e amor há somente um tempo.
Irônico é uma lua tão simplória me ensinar tanto da vida. Me fazer tão mais linda e interessante e complexa. Me fazer uma coexistência de extremos.
Uma dançarina que caminha no meio fio.
Se a lua me convida, me fantasio e me jogo: as máscaras já bailam, e os dançarinos me esperam. A noite é uma lua cheia.
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