segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Humano



Suplico-te para que não percas a chance de acariciar
As obscuridades de tudo aquilo que não és.
Queimar por desatino ou simples prazer, ou amor,
E se para isso for, que seja em todas as extremidades de sua matéria
E nas falhas mais cretinas de sua alma.
E agradeço se não ordenar, o que é assim, 
Ilógico de parto, sútil de concepção, concepção de não fazer sentido. 
Louco!
Caótico, doido. E tão belo.
A dualidade aquela danada! 
É quem compõe as arestas da tua instigante maneira de ser, tão assim, assimétrico e perfeito e patrão e escravo e jesus e diabo. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Está tudo bem, diz meu amor...



Sempre na direção
Que se modifica
A cada novidade, a cada morte, em nossas entranhas, sejam podres, sejam vivas.
Que é oposta! Que é singela!
Mas olhe, lá, aquela linda aquarela. 
Não muito abaixo, sabes o que dizem. Pode queimar.
Destino desgraçado, infortúnio certo.

Ninguém quer o desamor
Daqueles seres enriquecidos
E os outros, aqueles! Quem mesmo?
Ah meu amor! Do que falas? Não existem.

Trabalhe, escravo. Dizem eles, eu, nós.
Case-se mulher. 
Morra!
Não se for branco, bom, puro.
Falo de ti, estorvo parasitário
 marginal corruptor! Não vê que estraga a decoração natalina?
Ninguém sentirá falta.
Sem flores, sem choro, sem lápide.

Pois o ciclo segue. Há de seguir.
Ele ignora, pisa, apedreja. 
Mas tudo bem, não há outro jeito,
diz meu amor.

O que há de mal? Se não cometeres nenhum crime de ordem cabal,
Se fizermos tudo certo, como dizem eles, eu, nós, o que poderia haver de mal?
Eles não são, são ninguém.
Sei que de vez em quando,
Queremos falar sobre humanidade
Em nossa condição tão animal, 
Compaixão e essas insignificâncias, 
Sei que te entristece, mas não há de chorar, meu amor.

Assim somos desde o que antecede a concepção.
De escravo nasce, escravo é, e cego morre.
Conivente à própria servidão.
Passíveis, ao horror, hipócritas indignados, cultos lobotomizados! 
Por toda parte, por todo o lado.
Mas tudo bem, meu amor, temos um teto, sofá, comida, e televisão.
Daqui de dentro não há com o que se preocupar.