segunda-feira, 18 de julho de 2016

Ela me encarou com sincera dor
Me fitou com repuxos d'água, me puxou para dentro de si
Sem a pretensão inata às palavras, a arrogância de racionalizar
Muito longe disso, fica a compreensão de duas almas que se entendem
Apenas se enxergam. Como é perturbador estar nua diante de alguém.

Ela roubou meu nariz! Eu disse: tu roubaste meu nariz.
 - Agora é meu. - Disse ela me dando um sorriso.
 -Mas assim eu fico sem.
- Assim não consigo respirar. - Reiterei. 


Seu olhar se fixou no meu por poucos longos instantes

Surpresa, não entendi, o silêncio despertava a dúvida
Não amargura, não tristeza. A dúvida.
 

- Já te devolvi, boba!
- Pronto, respira. - disse ela em tom indecifrável 
Eu chorei. Ora, tão fácil? Ora, tão rápido? Ora, cadê tua persistência, tua fé no amor, tua crença de que tens consigo sempre um pedaço meu? Me devolves assim? Sem qualquer despedida, adeus, sem carinho, sem o lamento da separação...
Quem chora sou eu.
- Que rápido, podia ter demorado mais um pouco.
- É que eu não sei esperar.
Mentira.
É que tu me quer inteira. 
Treme os olhos, emudece a voz

terça-feira, 12 de julho de 2016

Por um mundo em que sentir não seja nadar contra a corrente
Mas sabemos que há algo de bonito nessa ideia de destruir deixar aos pedaços morrer em si e nos outros
Para então renascer
Existe uma vaidade em resistir
E que sejamos vaidosos então, não aspiremos a perfeição
A revolta é o balde que desce em um poço de delicadezas 
É a superfície de um mar de lágrimas
É a ideia que fazemos do amor
Um arrepio em lugares improváveis
A revolta é o grito da vida para existir

Nadando sempre sempre chega o instante que nos afunda
E mesmo no fundo mesmo perdidos mesmo febris e esquecidos
fazemos chacota àqueles que não aprenderam a nadar
que seguem carregados pela correnteza, que são reféns não de si
Boiam em fluídos de maldade


Fazemos chacota porque sabemos que é triste
ser refém de si, e o somos
Porém, na contrapartida bela, o somos! O SOMOS!

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Há algo de beleza na feiura
Quando o nobre e o vil se encontram e se tornam um
Há algo de bonito na flor que nasce no asfalto
E tantos foram os poetas que já cantaram aos ventos
Que há algo de bonito mesmo no caos, porque em meio a ele surge quem resiste, surgem flores frágeis com raízes fortes, pássaros que voam de modos estranhos e esquisitos, pessoas que falam coisas assim, sem nexo mas não importa o nexo
Há algo de bonito no sexo de um que encosta no outro
E nessa fusão de mãos e peles que resulta na sincronia de mil cheiros e um grande corpo com quatro pernas e braços
Ser a resistência é gemer alto e em bom som, sem medos e sem culpa por sentir
Prazer


O prazer do corpo incomoda um mundo de autômatos