Quero voltar a sentir;
Você não pode fazer isso por mim.
Se eu balanço a cabeça, dobro as pernas, me aventuro até a varanda
São fios que tocam somente a minha meada
são passos postos e repostos numa sincronia que é só minha
é o frio, é o vento, que me tocam
são os sentidos, as células, os organismos, as trocas energéticas que compõem o arrepiar de todos os meus pelinhos, um arrepiar que ninguém sente por mim
E assim é a dor, toda dor que existe em mim, toda a mágoa
Existe alguém que sente pra mim?
Que genial seria a existência de um sistema de transferência de dores, como pen-drives de lágrimas, deletar os vazios, colocá-los para download. Criaríamos uma empatia nunca vista na história da humanidade, pela dor do outro, por simplesmente saber que todos sentimos as mesmas coisas, de jeitos infinitamente distintos, e agora, disponíveis. Que bom seria, um click, dois, transferido meu vazio para outros vasos, e a expectativa para ver se cresce flor, talvez o problema seja o vaso, não? Mudaríamos os vazios, eles viajariam distâncias continentais ou atravessariam a rua. Seria lindo, lindo, saber que o outro pode sentir a tua dor.
Mas enquanto não inventam essa engenhoca a gente só pode se conformar: a dor é egoísta