domingo, 30 de outubro de 2016

É difuso o modo como me olha
Vira a boca, detém o sorriso
O veículo espontâneo da tua nudez
O véu que cobre tua alma
Esse esmalte que desgastado escancara teu interior com ferrugens
É difuso, é confuso
Te amo porque te amo, ou porque quero que me ames?
Sentada aqui na solidão do meu quarto tudo começa a perder o sentido. Cercada por essas muralhas de concreto que separam mundos e disfarçam a nossa necessidade de tocar alguém. O corpo que pede por um corpo. O corpo que se contenta com um copo? Uma poesia que pede por corpo pra se riscar, pede matéria pra existir, essa minha poesia latente de cada dia. Ou será, mesmo, a latência o próprio dia?

Tento aqui transformar minha dor em algo bonito. Porque tudo que existe possui certa beleza se experimentado pelo sentido a quê veio ao mundo. Não há alegria nesse sentimento, mas vejo flores e estrelas, latentes, quando risco ele em tela brilhante. Talvez eu só ainda não tenho encontrado o poço dos infinitos desejos magnéticos que sugam com toda força essa minha poesia interior que a cada dia: se não nasce, morre.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016


Meu olhar tem o alcance de mil navios, quando distantes dessa tua sombra.
Meu desejo não tem mais pouco ou muito ardor, cansou desses teus, meus, extremos 
Não desejo mais correr nos teus lençóis já meio contaminados, há barragens que não se desfazem: elas terminam em tragédia.
E se não cômico, tudo é trágico; essas tuas palavras vãs das tuas nascentes indecisas por rumo e sedentas por sede. Tolas, e vãs.
Vãs que me levam em rotas jamais aventuradas, diferente do vão sob o qual minha liberdade, igualmente tola e risível, finge apoiar-se.
Embora seja nesse mesmo vão, que se abrem sozinhas as minhas gavetas. Meias, calcinhas. Meias, verdades. Meios, amores. Inteiras ausências. Um vazio de resistência que hoje possui espaço pra se dizer vivo.
Desfaço dobras e alivio porosidades, que há tanto tempo pedem por respiro.



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Só um tempo só pra descobrir se a liberdade é só solidão;

Dizer não ao mundo é se recusar a nascer
Se negar a ser parte do todo inevitável que é o cair da nossa vida

Que a toda e qualquer esquina se esparrama pelo concreto, restos de mim. Restos e apenas restos, de tudo o que não sou mais. Minha pele agora é ainda fina, terei eu maior resistência as quedas? Minha pele agora é um involucro protetor, me protege do mundo. Mas não me protege de mim. Não há ser mitológico ou amor que me proteja contra todo aquele monte rejeitado, doído, que eu tento esconder; mas que faz parte. Faz arte. Dói em todo meu corpo.