domingo, 30 de outubro de 2016

Sentada aqui na solidão do meu quarto tudo começa a perder o sentido. Cercada por essas muralhas de concreto que separam mundos e disfarçam a nossa necessidade de tocar alguém. O corpo que pede por um corpo. O corpo que se contenta com um copo? Uma poesia que pede por corpo pra se riscar, pede matéria pra existir, essa minha poesia latente de cada dia. Ou será, mesmo, a latência o próprio dia?

Tento aqui transformar minha dor em algo bonito. Porque tudo que existe possui certa beleza se experimentado pelo sentido a quê veio ao mundo. Não há alegria nesse sentimento, mas vejo flores e estrelas, latentes, quando risco ele em tela brilhante. Talvez eu só ainda não tenho encontrado o poço dos infinitos desejos magnéticos que sugam com toda força essa minha poesia interior que a cada dia: se não nasce, morre.

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