segunda-feira, 10 de outubro de 2016


Meu olhar tem o alcance de mil navios, quando distantes dessa tua sombra.
Meu desejo não tem mais pouco ou muito ardor, cansou desses teus, meus, extremos 
Não desejo mais correr nos teus lençóis já meio contaminados, há barragens que não se desfazem: elas terminam em tragédia.
E se não cômico, tudo é trágico; essas tuas palavras vãs das tuas nascentes indecisas por rumo e sedentas por sede. Tolas, e vãs.
Vãs que me levam em rotas jamais aventuradas, diferente do vão sob o qual minha liberdade, igualmente tola e risível, finge apoiar-se.
Embora seja nesse mesmo vão, que se abrem sozinhas as minhas gavetas. Meias, calcinhas. Meias, verdades. Meios, amores. Inteiras ausências. Um vazio de resistência que hoje possui espaço pra se dizer vivo.
Desfaço dobras e alivio porosidades, que há tanto tempo pedem por respiro.



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