quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dentro de mim, pequenos nós que são também teus por que de outra maneira não poderiam ser. Cegos e surdos em sentidos arrepios. Arrepia-me o sentido. Os pequenos nós de você.
E gritam-me as cordas, com sabedoria e frenesi
Rio-me deste pulso inconstante
Desta vida invisível e desta morte morrida
Desta chacina, que inocente envelhece
Sem indagar o mal que há nisso
Que é nenhum, quando o que me enlaça é tudo e é mais além
Da ternura vadia, é clamor sem ser terno
É pureza inconstante
É suspiro calado
Sincronia, Avante!
Às esquinas por quais correm
Todo o amor não vivido, e que chega e que some
Aquele, pela vida
Que leva junto pra longe,
O amor dessa dor, e a dor desse amor.
Que nem dói, nem ama.
Apenas é, são, sadios nós na garganta.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O continente está no olhar
Ele é inquieto
É passivo e permite-se:
Tudo o que o homem não sonha
Pois não consegue sonhar.

Estar distante e estar ambíguo
Estar soldando a terra solar
De tantos soldados que fazem guerra
E ainda podem dizer, sentir, falar, sorrir, chamar: Amor.
Ao poder¿ poder o que¿ O que se pode quando não se tem¿
Essa história não interessa;
Antiguidades já não lhe convém.
O estar está fora de moda¿
A moda muda de acordo com quem¿
Deus me livre dele mesmo e da sua criação que parece muda
Muda de plástico, de ouro, com lastros
Vestida de que¿ O que se veste quando não se ama¿
Acorda-se, trabalha-se, concretiza-se, o que¿

As paredes em volta da cama¿ 
Sonho concreto se chama?

sábado, 27 de julho de 2013

A moça sorri pra foto
A moça segura a bolsa como segurasse o filho
E esquece de sentir o sabor do vento
Que lhe estampa tudo
Que lhe espanta ao nada
A moça não sabe degustar
Um dia não terá, nem ar, nem paladar
A moça não pedala
A moça só sorri pra foto

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O apartamento é quadrado
O meu rosto também
Gosto dos círculos, porém
Disformes formas que te desenham Zé,
Ninguém
Ao lado do nada.
Abro a veneziana, cabelos, olhos e bocas quadradas
E dentro de mim a guerra infinita
Redonda de formas
Cansada de ser, bonita
A moça da saia rodada
Que me fita as fitas
Que me olha os olhos
Que me ri à alma.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Meu riso só não tem a mesma forma
Como o mesmo soar
A forma se amarelou
O som mudou o tom
Ora agudo ora grave
Agora nada disso

O tom plagiou a lua
A forma é o assoprar da flauta
Mensure se puder, mas já digo: não pode
A imensa onda que lhe cobre
O prazer com cada poro
O pulso de cada corpo
O dedo de de tua mão
O ininterrupto preenchido vazio que paira em teus ossos
Quebrados por uma
Piada
Perdida,
A graça divina
Um murmúrio de Deus
O caminhar dos ateus!



E dois talvez três e porque não quatro,
Olhos das mais sôfregas pálpebras
Ternas, gritantes
Asilos falantes!


Mas o que foi sem querer se esvai, devagarzinho
Como gota de chuva em um cálido dia
Como o canto do pássaro em um mundo de surdos
Como o beijo na boca de um mudo
Como um país que sofreu um estupro

E que sofre, e sofrendo continua a estuprar

domingo, 7 de julho de 2013

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Pergunte-se, uma morte lenta faria parar o coração que quer escapar do peito através de água¿ Ele evaporaria à medida que anoitece. A dor retornaria com a chuva. Junto com as palavras que nada significam e as letras que não trazem ideias. Também com os ideais que foram comprados na esquina a preço de fruta. Tudo retornaria.
Os ideais baratos. Preço de banana.
O preço da fruta, não é caro pra mim. Fruta. Podre e suculenta.
Me dá um pouco da tua, Inocência¿ Fruta maldita, comi e perdi a minha. A minha nunca existiu, um grito. E porque não¿ . Porque, oras, a enchente levou.
 Vermelho facínora, matou a criança da alma. De mim sobrara o corpinho com coágulos, o interior das feridas, o imaginário pernicioso à noite. O que mais me doía logo de inicio era saber: Um morto de alma nunca conseguirá amar por completo.
É que o fato de existir implica na mimese de tudo que se vê, do redor, do ego, da brutalidade com a qual fui tratada. É que isso não aparece no jornal. É que a humanidade não fica triste porque uma criança, se da rua, morreu. Suponho que o mundo seja mau. E faço parte desse mal, tenho outro destino, senão a maldade do que se vê¿

Ora, o que dizes também sinto.  Um microcosmos sem portas. O inferno sufocante onde elas não são necessárias. O gemido é alto, o cão é feroz e as correntes, antes de corda, foram trocadas pelas de ferro. É possível corroer o metal antes que não se possa mais respirar¿

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O que quero expressar é algo que não sei sentir. São fonemas que não são, nunca, postos em ordem lógica e racional. Porque se quero a verdade, não posso oprimir a estupidez. Quando em mim habita o caos a ordem é o maior perigo. E esse foi meu desatino de maior lucidez:
Oprimir é estupido. Mentir é matar. Matar é pelas costas. É deixar sangrar enchentes e sorrir em volta e comer pizza à mesa. Que morram todos, então! Dizem os fonemas, as muralhas negras que tapam os olhos e ouvidos dessa gente, palhaços que moram na cavidade anal do homem.
Depois de correr quilômetros a fio sem nada, partida ou chegada
Só o chão.
Eu pari, grávida
Parti em dois a imensidão
Penso apenas em despejar meu grito em ti, o Universo em ti.
Dele fazem parte os que morreram, os poetas
Os iludidos que desenhavam a trajetória dos astros.
Como chegar até eles¿
Como prender a liberdade em si¿
 Voar acima dos corpos celestes,
cagar nas cabeças
das humanas bestas!
Acariciar os nervosos
Os corações forcejosos.
Os bons e maus,
Pensares que fazem
dos astros: invejosos.
Prender a liberdade, nunca! Ela é libertadora exatamente porque não se prende a nada. Personifica-la na Terra, talvez. É o que me tira o sono de tanto desejo. Apesar de não ser prisioneira de ninguém.
Putas, alguém¿ “Eu, eu, eu, é assim que me chamam’’. Malditas sejam! Vocês que se olham no espelho e refletem vergonhosamente a imagem que lhe criaram. Ser puta ou ser santa, ser virgem ou não, a escolha é a liberdade. E a liberdade, sim, é sagrada! Uma puta sagrada que merece o amor e a vida.
Quero ver o homem como é, o bicho que é! Torturados, degolem a censura que vos mata!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Carne com alma
Tocas-me e cortas.
Ferida aberta aquela agora que virou pérola.
E dentre todas as pérolas 
Nenhuma me escolheu.
Foram todas colhidas para posar em pescoços exuberantes e orelhas de quem não ouve. De quem não sabe ouvir.
Dando brilho àqueles que não o têm.