segunda-feira, 22 de julho de 2013

Meu riso só não tem a mesma forma
Como o mesmo soar
A forma se amarelou
O som mudou o tom
Ora agudo ora grave
Agora nada disso

O tom plagiou a lua
A forma é o assoprar da flauta
Mensure se puder, mas já digo: não pode
A imensa onda que lhe cobre
O prazer com cada poro
O pulso de cada corpo
O dedo de de tua mão
O ininterrupto preenchido vazio que paira em teus ossos
Quebrados por uma
Piada
Perdida,
A graça divina
Um murmúrio de Deus
O caminhar dos ateus!



E dois talvez três e porque não quatro,
Olhos das mais sôfregas pálpebras
Ternas, gritantes
Asilos falantes!


Mas o que foi sem querer se esvai, devagarzinho
Como gota de chuva em um cálido dia
Como o canto do pássaro em um mundo de surdos
Como o beijo na boca de um mudo
Como um país que sofreu um estupro

E que sofre, e sofrendo continua a estuprar

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