terça-feira, 12 de julho de 2016

Por um mundo em que sentir não seja nadar contra a corrente
Mas sabemos que há algo de bonito nessa ideia de destruir deixar aos pedaços morrer em si e nos outros
Para então renascer
Existe uma vaidade em resistir
E que sejamos vaidosos então, não aspiremos a perfeição
A revolta é o balde que desce em um poço de delicadezas 
É a superfície de um mar de lágrimas
É a ideia que fazemos do amor
Um arrepio em lugares improváveis
A revolta é o grito da vida para existir

Nadando sempre sempre chega o instante que nos afunda
E mesmo no fundo mesmo perdidos mesmo febris e esquecidos
fazemos chacota àqueles que não aprenderam a nadar
que seguem carregados pela correnteza, que são reféns não de si
Boiam em fluídos de maldade


Fazemos chacota porque sabemos que é triste
ser refém de si, e o somos
Porém, na contrapartida bela, o somos! O SOMOS!

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Há algo de beleza na feiura
Quando o nobre e o vil se encontram e se tornam um
Há algo de bonito na flor que nasce no asfalto
E tantos foram os poetas que já cantaram aos ventos
Que há algo de bonito mesmo no caos, porque em meio a ele surge quem resiste, surgem flores frágeis com raízes fortes, pássaros que voam de modos estranhos e esquisitos, pessoas que falam coisas assim, sem nexo mas não importa o nexo
Há algo de bonito no sexo de um que encosta no outro
E nessa fusão de mãos e peles que resulta na sincronia de mil cheiros e um grande corpo com quatro pernas e braços
Ser a resistência é gemer alto e em bom som, sem medos e sem culpa por sentir
Prazer


O prazer do corpo incomoda um mundo de autômatos

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