Ela me encarou com sincera dor
Me fitou com repuxos d'água, me puxou para dentro de si
Sem a pretensão inata às palavras, a arrogância de racionalizar
Muito longe disso, fica a compreensão de duas almas que se entendem
Apenas se enxergam. Como é perturbador estar nua diante de alguém.
Ela roubou meu nariz! Eu disse: tu roubaste meu nariz.
- Agora é meu. - Disse ela me dando um sorriso.
-Mas assim eu fico sem.
- Assim não consigo respirar. - Reiterei.
Seu olhar se fixou no meu por poucos longos instantes
Surpresa, não entendi, o silêncio despertava a dúvida
Não amargura, não tristeza. A dúvida.
- Já te devolvi, boba!
- Pronto, respira. - disse ela em tom indecifrável
Eu chorei. Ora, tão fácil? Ora, tão rápido? Ora, cadê tua persistência, tua fé no amor, tua crença de que tens consigo sempre um pedaço meu? Me devolves assim? Sem qualquer despedida, adeus, sem carinho, sem o lamento da separação...
Quem chora sou eu.
- Que rápido, podia ter demorado mais um pouco.
- É que eu não sei esperar.
Mentira.
É que tu me quer inteira.
Treme os olhos, emudece a voz
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