terça-feira, 4 de abril de 2017

Dentro de mim existe um vazio cheio de quadros em branco
Dentro de mim existe também uma galeria escura que no lugar de quadros, existem grandes montes de vômito e merda
Dentro de mim existe também tanta coisa; dramin pra dormir; freud, as mulheres que correm com os lobos, o ecossistema e o ser integral, a saúde holística, ah! Dentro de mim... existe vontade de pele, de cheiro, de foda mesmo. Aquela bem boa. Mulher, homem, sapatão, bonitinha, guriazinha! meiga irada agressiva. Cheia de energia, gato.
Dentro de mim existe um "miguxa, tem algo pra amanhã?", um "fui numa festa e escutei lana del  rey, nossa, muito chato..." dentro de mim existe toda essa chatisse do cotidiano de gente que tem medo de se olhar; deixa eu te contar um segredo? é que as paredes brancas me engolem aos poucos. Sou engolida pela grande baleia e me afogo lentamente no oceano interno de estar só e não saber pra onde ir, não saber qual o rumo a se tomar. Eu me afogo... Ah, eu me afogo...

E eu não quero mais usar palavras bonitinhas, o mundo não é delicado
Ele esmaga a gente, e nos deixa só depois
Um punhado de gente batido no liquidificador, sem açucar, sem adoçante
Um monte de sonhos desejos mãos e pensamentos que se perguntam por onde, com quem, como
Uma biomassa de tristezas liquefeitas
Me ponho no liquidificador, mas ele corta, e ah, minha batida logo tem gosto de sangue
O sangue vermelho dentro das veias pulsa junto com meu cérebro freneticamente
O sangue, vermelho, era pra ficar somente dentro das veias, de café da manhã eu só queria um pão com manteiga e um copo de carinho, um pouco, que seja um tantinho que nem um punhadinho
Das pessoas que contam as moedas e as colocam em saquinhos
Das amizades todas que separam as sementinhas para fumar a erva boa
Um tantinho assim, separadinho, fragmentado, que seja
Aceito como for
Sinto saudade de mim? Como ter coragem se eu nem sinto os meus pés no chão?
Eu queria ser a expressão constante de mim
Transbordar porque sou água e contida assim, eu deprimo e afogo lentamente até não conseguir respirar
E não há muito tempo eu me perguntei, como corroer o metal antes que não se possa mais respirar?
Eu errei na concepção do poema
Não estou presa em lugar nenhum exceto
Aqui dentro... sei que dizer socorro não adianta e esse até poderia ser um bom recurso poético mas eu to é me fudendo pra poesia. Eu quero mais é que essa poesia bonita e bem feita e tão bem expressa e autêntica, essa que era eu e que eu fazia, se foda.
Eu invejo o que um dia fui porque não sei mais quem sou

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