Aprender a suportar a feiúra do que se vê.:::
As coisas são o que são e nem é o que parece.
defender meu sentir com a mesma intensidade do meu amor
mostrar as garras pois os lobos não hesitam em fúria para se proteger
recobrar a capacidade de suportar o que se vê
A barba é azul.
e ponto.
O amor é carência.
O castelo guarda um porão repleto de ossos.
A chave que abre a porta e então não para de sangrar vem pra me apontar: esse não é o caminho
Meus vestidos todos sujos de sangue
Não há problema... sempre gostei de vermelho.
Minhas cicatrizes em nada semelhante com minhas vergonhas
Leveza, levura... deixo desprender de mim o peso dos enganos
Essa natureza selvagem precisa aprender a se perdoar.
Há em mim todas as mulheres do mundo, todas que eu necessito pra a vida
A mãe, a filha, a melhor amiga.
A amante fervorosa que faz do meu corpo escorrer suores; paixão.
A mãe selvagem que me deixa ir além, solita e incrivelmente sã.
E enfim todas elas se juntam, se amam, no êxtase de uma louca cerimônia circular, redonda, poética.
A chama do fogo me traz a vida, a morte, a vida.
Queima em meu peito essas agruras que já não cabem mais
Faz transbordar
Uma ternura
Por um par de olhos penetrantes e afiados
Suportam a feiúra do mundo.
Aceitam, liberam.
Olhos buscantes por novas paisagens. sorriem sozinhos.
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